Proteína C REATIVA


A proteína C reativa (PCR) é uma proteína plasmática de fase aguda, sintetizada no fígado, que funciona como um marcador sensível e dinâmico de inflamação. Sua concentração na circulação pode aumentar consideravelmente durante a resposta do organismo a uma infecção ou trauma tissular, tornando-se um marcador inespecífico do processo inflamatório.

As primeiras determinações de PCR começaram a ser realizadas por soroaglutinação, em partículas de látex, com resultados expressos semi-quantitativamente e interpretação subjetiva. Posteriormente, foi possível a determinação quantitativa da concentração sérica da PCR através de imunoturbidimetria e nefelometria, com resultados em mg/dL.

A dosagem de PCR ultrassensível passou a detectar concentrações séricas abaixo dos valores considerados normais nas metodologias primárias, questionando parâmetros ora utilizados. Desta forma, verificou-se que alguns métodos apresentavam sensibilidade reduzida na detecção de baixos níveis de inflamação. Atualmente, a imunonefelometria hipersensível (também denominada alta sensibilidade ou ultra-sensível) é o método de escolha para determinação da concentração sérica da proteína C reativa titulada.

Dentre os biomarcadores inflamatórios, a PCR emergiu como a melhor ferramenta clínica para a detecção de risco cardiovascular. Estudos apontam como uma das formas mais eficientes em se determinar a inflamação vascular. Níveis de PCR estão associados com aumento no risco de doença arterial periférica, infarto do miocárdio, AVC e morte súbita cardiovascular. Nos pacientes com IAM, níveis mais elevados de PCR correlacionam-se com maior extensão da área de necrose miocárdica.

Entretanto, mesmo na ausência de necrose miocárdica, níveis elevados de PCR também podem estar relacionados com a extensão da doença aterosclerótica. Também se observam que indivíduos aparentemente saudáveis e níveis normais de PCR / borderline (no limite superior), podem apresentar maior risco de desenvolvimento de doença arterial periférica. Estes estudos exemplificam a necessidade de se avaliar cuidadosamente os níveis de PCR junto aos parâmetros clínicos.

A participação da PCR diretamente na aterogênese e no desencadeamento dos fenômenos aterotrombóticos tem sido sugerida em diversos estudos, embora não se tenha evidências robustas e definitivas para caracterização de seu real papel nesses processos. Contudo é claramente demonstrada que a PCR se constitui como importante marcador de inflamação vascular subclínica crônica e de risco cardiovascular, com valor preditivo positivo independente às dosagens de lipídeos plasmáticos, na presença de outros fatores de risco bem estabelecidos.

Mesmo sendo considerada como marcador “padrão-ouro” para inflamação e doença de artéria coronária, a interpretação do resultado requer cuidadosa correlação com a história clínica e exame físico do paciente, uma vez que processos inflamatórios e alguns estados infecciosos elevam os níveis basais de PCR, assim como importantes variações intraindividuais em seus níveis se tornam fatores limitantes, sugerindo dosagens seriadas como melhor indicador.

É mister ressaltar sobre a atenção clínica na valoração dos ensaios laboratoriais disponíveis no mercado, principalmente aqueles com limites de detecção, sensibilidade e especificidade muito variáveis.
Parâmetros estes que somados a escolha da metodologia, reagentes, equipamento e experiência do analisador são determinantes no resultado
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O Laboratório Santo Antônio utiliza reagentes de procedência europeia, devidamente validados pelo nosso Sistema de Gestão da Qualidade, que nos permite expressar um LQ (Limite de Quantificação) de 0,01 mg/dL a fim de prover, como suporte clínico, o melhor parâmetro analítico ao cardiologista.


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